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Vida de Velejar

A vida é um mar revolto,
É tentar nadar no infinito,
Se agarrar ao que é solto
- Tirar a sorte no palito.

Mas nesse mar insolente
Existe beleza, existe boa gente
- As notícias ruins virão e irão
mas, se conseguirmos salvar um momento,
Uma pessoa em seu elemento…
Tudo terá valido à pena,
Da dor mais horrível à arte mais serena.

E nadamos fazendo o bem
Antes vivendo com do que vivendo sem.


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Apagando

Quando a soma humana dá errado,
Quando falta afeto e cuidado,
Quando sul vira vira leste
e norte não é oeste…
Eu me questiono se algum dia me importei,
Com o que você disse, com o que eu sei.

Eu continuo sem motivo pra acreditar
Que algo surge do nada, surge do ar,
Que é possível no horror supersticioso permanecer fiel
Às palavras de amor escritas num papel.
E me questiono se alguma vez me importei,
Com o que você não disse, com o que não sei.

Talvez seja assim mesmo, uma resposta sem pergunta,
uma solução sem problema, um fim sem começo.
Será que começa a vida então defunta?
Começa a queda antes do tropeço?
Me questiono se eu já me importei…
Com você, eu não sei.


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Passado

Eu jurei tantas coisas não dizer,
Eu jurei me calar, jurei esquecer.
Mas não pude nada disso cumprir,
Pois, amor, o Amor eu redescobri.

Penhorei meus pertences por ai,
Minha casa? Ao estado, vendi.
Dirigi tão longe quanto pés descalços poderiam alcançar
Só pra ver, só pro Amor tentar conquistar.

Falhei vez ou outra, repeti,
erros cometi
Porque tudo se vai um dia,
Enquanto isso, ame e sorria.

Cheguei aqui na beirada do mundo,
Num choro sem razão nem fundo,
Gritei por Amor à liberdade,
Um segundo feito em eternidade.

Você tinha que encontrar
Nas palavras um lar
Criadores sinceros e verdadeiros,
Do meu grito, herdeiros.
Tudo vai e tudo passa
Mas nem todo braço, abraça.

Sempre que pareço chegar no fim,
Em mim, força encontro pra mais um passo,
Sem nunca ceder, eu passo.
Tudo passa.


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As Horas

O mundo é um lugar estranho,
e eu admito ser tão ímpar quanto.
Falamos em diferentes sintonias mas no som…
Só há harmonia, só há um tom.

Pois até no pior momento
A vida é tão bela quanto poderia ser.
Entre blocos de cimento
Lugar melhor não poderia escolher.

Estou exatamente onde queria estar,
Onde poderia sonhar.
E eu corro como só eu poderia correr.
E temo… o que só eu poderia temer.

Pois é tudo muito mais que um carro, que mil aparatos,
Mais que um trabalho, mais que status.
É um beijo, é um abraço, é olhar
No céu, na alma um lar.
É muito simples, é muito simples.
A vida… é amar as horas,
Nas horas, sem horas…
É estar aqui, nos agoras.

Porque até a hora mais sombria
É tão bela que arrepia.
A raposa salta, o lobo uiva,
O mundo gira, eterna curva.


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Rascunho de Gente

O livro é de capa dura,
A tinta é como a noite, escura.
As palavras se deitam no papel,
Delicados beijos de seus lábios de fel.
A mão está cansada de escrever,
Mas ainda há muito o que se dizer.

Vai-se escrevendo história enquanto recente,
Tentando capturar do momento o presente.
Porque todo o mundo irá passar,
Seja o público ou o particular.

Caminha-se entre gigantes, altos demais para nos ler,
Batendo ombros prum pedaço de céu ter.
São arranha-céus, sem dúvida alguma.
Mas mais me vale a pena, me fala a pluma.

Não somos números soltos e largados,
Somos seres estranhos, pintados,
Somos listrados, somos malhados,
Somos peludos, somos pelados.
Somos um grito, um apego,
Somos versos num soneto,
Sem errata nem edital,
Somos rascunhos em versão final.


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Amor-Te

Quem me explica o arrepio,
Da música que fala de morrer?
Quem me explica meu assobio
Tranquilo pelo que vai ser?

A vida é um balé sem harmonia
Dançado em perfeita sincronia
Em que todos tem sua vez de dançar,
Onde todos um dia param de bailar.

Máscaras sociais,
Nunca mais.
Mas vestimos sempre,
É o jeito, é a gente.

Nega o passado e ignora o presente,
Mas entenda que o futuro é ausente
Pois ele nunca chega em vida,
Só chega quando a morte é obtida.


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