Writings

Feliz Ano Velho

Posted by Otto Robba in Prosa on 29. Dec, 2009 | No Comments

A idéia de renovação e segunda-chances que acompanham a virada do ano são estranhas. Muda muito sem nada mudar – dia primeiro não é tão diferente do dia trinta e um. Não há, de fato, um começo nem um fim que possamos determinar. Mesmo assim, dentro dessa abstração que é o nosso calendário, o virar das folhas tem mais força do que transparece.

Esse ano eu passo querendo deixar tudo pra trás. Queria esquecer, queria fugir, queria correr pra longe, queria que fosse tudo diferente mas não dá, num posso. Se eu esconder o passado atrás de portas trancadas, guerras internas iriam se precipitar. Aceito o gosto amargo do que já foi esperando que me sirva pra quem vou ser.

Meu maior temor é que continuo a me fazer promessas na cabeça, juras de mudança para melhor. Mas e aí que, vinte e dois anos depois, as coisas continuam num ritmo de tartaruga? Se existe definição para “sem sentido”, deveria ser esse ano, com a horrível sensação de largar na corrida mas nunca sair do ponto de partida.

Talvez seja a minha busca doida por algo intangível e que me é difícil de explicar – e de compreender. O mundo me fita com suspeita e eu envergonhado abaixo a cabeça. Como explicar que o que quero é produzir o toque inexplicável e mágico que vemos em filmes como os da Disney ou os do diretor Wes Anderson? Ou então o grito calado, contando histórias de gerações, da arte de Shaun Tan? Ou ainda, o Homem Vitruviano de Da Vinci – impossível na realidade mas perfeito, tão perfeito que chega a ser grosseiro tentar mostrar porque não seria ele possível.

Talvez a vida tenha se tornado possível demais, segura demais. Nem me é mais possível se perder por São Paulo – talvez a cidade tenha ficado organizada demais ou eu confuso de menos, mas honestamente, chegamos ao ponto em que mesmo quando se erra é fácil consertar. Fazer a faculdade, já que já estou nela mesmo, indo pro terceiro ano sem nenhuma paixão no coração pelo curso. Continuar vivendo em casa, já que estou aqui mesmo, sabendo que a alma grita por um lugar meu, responsabilidades minhas. Continuar tudo que já foi começado porque é fácil, é garantido, não tem risco nenhum e as pessoas olham em aprovação, olhos semi-cerrados por causa do sorriso como estivesse tudo bem.

Não está e honestamente, minha vontade para que as coisas continuem como estão é nula. Como podem me pedir para viver num copo d’agua quando sinto que faço parte de um tsunami?

Talvez eu saia do país. É pela mudança de cenário como é pela necessidade de independência que provêm da responsabilidade. Talvez é ter que responder, no final de cada dia, à mim mesmo. Talvez seja porque não suporto mais essa cidade e porque não vejo muito futuro aqui. Talvez seja porque eu quero mais beleza e menos tristeza. Talvez… talvez seja por um desejo louco que se debate dentro do peito, pedindo para que seja feita a obra que trás o encanto, que vá além do que parece ser bom para o que de fato o é.

Ao badalar da meia noite enterro de vez meu ‘eu’ desse ano velho, que já morreu à mim tem algum tempo. Tempo o suficiente para que eu tivesse andado como um zumbi sem meta alguma, sem nada meu, preso vivendo de fachada. Basta.

Por favor, chega.

Adeus ano velho.

Auguri

Posted by Otto Robba in Prosa on 25. Dec, 2009 | No Comments

Eu não quero desejar nada à ninguém meramente por educação, não, não. Se desejo é porque é sincero, é o que quero aos outros – e a mim. Não sou altruísta ao ponto de ser tão desligado de não falar em voz alta que quero algo bom para os outros sem pensar que quero também pra mim mas, não deixe que a realidade da situação desligue qualquer significado que eu possa estar querendo aqui, por esse parco texto transmitir.

A verdade é que eu desejo a felicidade à vocês nesse dia de hoje, pois bons são os dias comemoráveis e memoráveis. Tem jeito melhor de fazer um passado do que construindo boas memórias? Então não deixe que o almoço de família esquisito ou a ceia ansiosa precipitem a infelicidade. Dê um passo pra trás e olhe com um sorriso por saber que isso tudo vai passar e, com todas as falhas e desarranjos, esses momentos são únicos. Parentes bêbados, conflitos e atritos familiares, expectativas surreais… nada disso deveria definir o dia. O que define o dia é aquilo que você consegue extrair dessa confusão que é criada.

Porque, sejamos honestos, confusão é praticamente sinônimo de festividade. Trânsito, lugares abarrotados, gente estranha, festas esquisitas. Por que não, então, aceitar que as coisas são um teco menos precisas, um teco mais caóticas? Minha sugestão e meu desejo à todos: a felicidade, não só no dia de hoje mas na maior parte dos dias que houverem e tratemos as coisas com a mente um pouco mais aberta.

Afinal, ano que vem, tem mais.

We Became Graffiti

Posted by Otto Robba in Poetry on 23. Dec, 2009 | No Comments

Shadows play down the street
Casting themselves protagonists;
Clock-less and free
As any free man
can be.

They glide from brick to brick
As the sun shines and the sunset shifts.
Memories that we’ll never miss,
it is our outline on the wall,
After all.

Dias de Verão

Posted by Otto Robba in Prosa on 13. Dec, 2009 | 2 Comments

Por vezes nós nos deparamos com muros em nossos caminhos de pessoas e momentos que acabam marcando-nos como inesquecíveis, ainda mais em contraste a maior parte dos dias, que pouco significa – isso se chegar a causar algum impacto na vida. Mas em tanto lembrar, nós nos esquecemos que são superáveis.

A verdade me é que os dias passam e gradualmente, você também. As lembranças ficam guardadas em caixas numeradas, compondo a linha do tempo em que coexistimos. Mas tal como as estações devem deixar aquele ano específico pra nunca mais voltar, nossos caminhos se separam e termina o nosso calendário.
É assim que vivemos; riscando um dia por vez, uma página por mês, uma estação por ano, sabendo que ali, naquele espaço de tempo tão relativo, vivemos uma vida inteira – umas mais curtas, outras mais longas. Naqueles centímetros de papel na parede marcamos em nossa mente mundos inteiros que não mais habitamos.

Somos humanos, somos falíveis. Precisamos viver um dia por vez pois nós queremos amar ainda que não o saibamos fazer. Queremos mudar ainda que quase estáticos. Queremos sonhar ainda que receosos. Queremos poder olhar pro céu e sentir que fazemos parte desse mundo que anda se achando tão globalizado e ainda assim desconexo. Mas, como comecei esse parágrafo, acima de tudo queremos amar – e ser amados.

A chave de nossas memórias ainda me parecem ser as palavras, umas mais honestas outras mais abrasivas mas ainda assim, uma voz que diz algo. Se você tem algo a dizer, diga, não espere que os seus dias sejam riscados e você e eu tenhamos passado. Quem sabe essas linhas te inspiram a falar as coisas com sua própria voz. Pois a minha, escondida nessas linhas, assim o é muito silenciosa.
Sempre há um ano novo.

Streamlined and Glossy

Posted by Otto Robba in Poesia on 09. Dec, 2009 | No Comments

Vivemos rápido demais,
É tudo máquina e movimento que
até esquecemos do formato
de um beijo na pele nua ao vento.

O calor humano está perdido no ar
Sem nunca em pele nenhuma
jamais encostar.

Eu quase chorei por nós todos
Mas não tinha lágrimas;
deixo isso pros outros.

Queria poder sentar e deixar
por entre os dedos o tempo passar
como grãos de areia sem se
preocupar onde a ventania
vai os levar.

Se você não percebeu, estou perdendo
as horas de sono
pensando em você e
tudo aquilo
que um simples abraço
pode conter.

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    For me, art is all about communication, finding and giving meaning when most would not see. To make people feel from words unspoken, to imagine entire worlds through simple literary passages.

    My dream is to be able to, should I ever be so lucky, create a piece of work that lives far beyond myself.