Writings
Posted by Otto Robba in Poesia on 25. Jul, 2010 | No Comments
O girar das rodas da bicicleta,
Cisnes em fila deslizando,
Roupas balançando ao vento,
Cabelos puxados atrás da orelha.
Histórias acontecendo, nesse instante.
Temos começos e fins,
metades boas ou ruins.
Vidas se vão,
como aos patos vai o pão.
Migalhas aqui e acolá,
umas vão se afundar.
As nuvens agora alaranjadas:
O Sol vai se despedir.
O dia vai terminar.
Mas as histórias vão continuar.
Fragmentos que nunca vamos ler,
Personagens que não iremos conhecer.
Posted by Otto Robba in Poesia on 24. Jul, 2010 | No Comments
Dando respostas sem ter as perguntas,
Assuntos sensíveis com palavras que ferem.
Argumentos na sala de jantar,
Impossíveis de tragar.
Eu tinha muitas palavras pra dizer,
E você com tão poucas veio responder.
Argumentos na sala de estar.
Sensação dolorida de que talvez, apenas talvez,
Não estejamos certos um pro outro.
Uma brecha de escuridão se faz na luz -
as persianas estão caindo.
Argumentos na porta do elevador,
O pior adeus da minha vida.
Posted by Otto Robba in Poesia on 09. Jul, 2010 | No Comments
Numa vida que faltava arte,
de noites frias e dias secos,
Rolava na cama além da hora,
Olhos fechados, sono pesado.
E por um segundo de mudança,
Por uma brisa que gelava o suor,
Por um olhar perdido na tinta que descascava,
Viu um mundo composto de partes.
Fotografias que nunca houveram mas poderiam ser,
Roteiros escritos na rotina sem ninguém perceber,
Poesias em quindins e risadas de verão,
Nu artístico na imaginação.
As formas não estavam perdidas no espaço,
Tudo estava conectado.
Por um breve instante tudo fez sentido
E seus olhos fechados viam o mundo.
Posted by Otto Robba in Poesia on 06. Jun, 2010 | No Comments
Olho procurando a resposta
e me perco no vácuo
do virar do seu rosto.
“Paciência” – penso.
Tento tirar dos seus lábios
as palavras que quero ouvir,
aquelas que poderiam responder.
Mas nada sai.
“Paciência”.
Tento apalpar no seu corpo
a resposta pra minha pergunta.
Mas é como eu ali não estivesse,
e a resposta não aparece.
“Paciência”.
E no canto do mantra,
Me encontro esperando
O que talvez nunca virá.
“Paciência”.
Posted by Otto Robba in Poesia on 06. Jun, 2010 | No Comments
Vivo a dicotomia do dia e da noite.
Acordo cedo, rogando pragas à luz do Sol,
Quero dormir, sonhar… mas agora não é momento,
Levanta e vai trabalhar.
Mas a noite chega, todo dia. E
chega com ela o silêncio.
Mas o silêncio que aprendi a amar,
o silêncio que me acolheu
sinto hoje que revolto-lhe.
Onde haviam colinas vejo surgir pontes,
talvez sejam mesmo os moinhos gigantes,
talvez esteja eu louco por assim os vê-los.
Talvez seja tarde demais para ser noite de novo.
Onde errei? Foi na cisma da rima,
de compor cada momento como um todo,
de achar sentido onde não há e criar fábulas
do que poderia ser mas não o é.
Meu erro é a verossimilhança e
pensar que no outro
encontro de mim
um tanto e
tão pouco.