Writings
Posted by Otto Robba in Prosa on 31. Jan, 2010 | No Comments
Talvez eu esteja julgando a cidade cedo demais, mas minha nossa, meu primeiro impulso é dizer como é todo mundo assustado por aqui!! Repetem que “É muito cedo pra isso, melhor esperar mais um tempo”. Tempo? Relógios medem relógios então quem mede o tempo? De onde venho, as coisas não são medidas por ponteiros mas por aqui, relógios-métricos definem as possibilidades. Confesso ficar assustado com isso.
Será que ninguém percebe que em 7 dias pode ser tarde demais? Que em 7 anos pode ainda ser cedo? Quanto tempo é necessário para se conhecer alguém? Tem gente que é mais sincera em 10 segundos que outros o são em 10 anos – a espera não muda a natureza de cada um.
A profusão de números e datas deve provir de alguma tabela, tenho quase certeza – é tudo tão preciso, tão exato, tão convencional. Parece que até os impulsos eles querem controlar. Os Impulsos! Imagine só!
Talvez eu faça mais burradas e me arrisque mais do que eles, mas se tiver que olhar pra trás e ver tudo o que consegui, aprendi, vivi… é impossível dizer que não valeu a pena. Errei caminhos por impulso só para conhecer ruas que pra sempre mudaram minha trajetória.
Mas o que mais me assustou foi quando tentaram quantificar o amor e descrever seus processos. De todas as coisas, justo o amor? O amor, esse fora-da-lei que rouba corações, prende olhares, furta beijos? O que é o tempo para o amor? Quem seria capaz de dizer que é cedo e não tarde?
Justificam que é besteira, que é preciso esperar pra não errar. Desde quando fazer besteira é uma coisa ruim sem lado bom? Será que ninguém aprende fazendo besteira? Será que ninguém erra? Porque de onde venho, errar é normal. A gente erra pra acertar e não fica se jogando pra baixo quando erra. A vida é assim, paciência. Depois de um erro ou um acerto, o passo é sempre o mesmo: pra frente.
Não só mas será que todo ato fora da tabela resulta em erros? Conheço tantos erros que acontecem dentro da tabela, será que esse sistema deles funciona pra prevenir qualquer coisa? Começo a achar que não. E começo a achar que eles estão se enganando. Nós não somos uma equação matemática precisa, a minha soma não dá o seu resultado e assim é com todo mundo.
Honestamente, esse povo da cidade grande me é um tanto estranho e admito me sentir podado com seus olhares de constante reprovação, mesmo que eu não concorde com o modo como eles medem as coisas. Não é fácil ser um garoto impulsivo apaixonado com idéias na cabeça. Eles me olham como eu fosse doido e agora não quero mais compartilhar minhas idéias com eles. Ironicamente, vou deixar eles esperando.
Posted by Otto Robba in Poesia on 30. Jan, 2010 | No Comments
Talvez seja isso que faça
Quem se ocupa de amar;
Tendo tanto pra dizer
Sem ninguém pra escutar.
A folha de papel acaba por ouvir
O quanto que dói
-Ainda que só por um dia-
Ter que se despedir
Porque só nas linhas digo
O quanto me vira as entranhas
Te expor ao perigo,
Às situações estranhas.
E é só nos versos que declaro
Como até quando tudo está escuro
O que quero está claro.
E, é apenas em minha rima,
pobre, simples e desajeitada,
Que bate o coração que
Não pede mais nada.
Talvez seja isso que faça
Quem se ocupa de amar;
Viver em terra,
se sentir no mar.
Posted by Otto Robba in Poesia on 29. Jan, 2010 | No Comments
A chuva que já secou um dia nos molhou.
O meu olhar fita o seu agora no passado
Como queria que o tempo
me deixasse sempre ao seu lado.
Sem precisar nunca se despedir,
Pra sempre te vendo
com os olhos sorrir.
Posso estar de amor cego,
admito, não nego,
mas nunca vi tão claramente
o que só o coração sente.
Posted by Otto Robba in Prosa on 29. Jan, 2010 | No Comments
É difícil não olhar com certa arrogância pro mundo quando se tem como base preceitos tão claros, tão fortes, que certas opiniões e desejos alheios parecem absolutamente estúpidos. Meu primeiro ponto é que vivemos num mundo em que as pessoas querem certezas – elas ousam pedir garantias, incapazes de ver que a idéia de existir algo como uma garantia é uma ilusão em si. Se alguém quer trair, um anel não impedirá. Se alguém quer roubar, um alarme não impedirá. Se alguém quer matar, uma lei não impedirá.
Tudo se decompõe à essência de como todas as ações sociais e observáveis começam – escolhas internas, partes de um processo intrincado de julgamentos e arbítrios. Todo passo dado é uma escolha efetiva ainda que muitas vezes inconsciente – ou quase.
Chego então no meu segundo ponto; o significado da vida. Parece que é uma pergunta absolutamente impossível mas eu juro que é mais simples do que parece e, pra completar, se relaciona com o que falei sobre escolhas. A vida não é nada mais senão fazer significar. As palavras que falamos são apenas palavras, os objetos que temos apenas objetos mas… nós fazemos tudo isso obter um significado. Através da concatenação de significados, construímos algo tão maior e extraordinário, um milagre matemático de possibilidades improváveis. Através das nossas escolhas e significados, fazemos significar a vida.
Presunçoso? Sem dúvida. Mas eu não ofereço garantias de que estou certo, apenas digo que acredito estar.
Posted by Otto Robba in Poetry on 26. Jan, 2010 | No Comments
Expected perfection out of me
But they just couldn’t see that
I couldn’t hold the world in place
And thus I fell into eternal disgrace.
They undressed me with their eyes,
Saw my flaws and built the lies.
I shouted for them to let me go,
Sever the chord, cut all the ties.
They only stared me dead in the face
And told me to know my place.