Monstros Sociais
São exaustivas as convenções sociais. Em um constante pisar-em-ovos, desviamo-nos de tabus, dos mais simples aos mais complicados. Me ensinaram, as convenções sociais dos relacionamentos, que o Amor e o Ódio são sentimentos muito fortes e que não devem ser expressos na maior parte das situações. Aprendi a ter vergonha do meu ímpeto, de meus impulsos… aprendi a ter vergonha de quem sou. Vergonha. Boa parte da vida é vivida em constrangimento, tal fosse a ordem social uma jibóia a nos apertar, esmagando-nos o coração, tirando nossas ações, nossas palavras.
Aonde está o erro de ser um tanto quanto mais direto? O fato continua que o ser humano, apesar de ser um ser social, é extremamente tosco e frágil, socialmente. Recebemos mal a verdade e nos iludimos constantemente. Iludimo-nos mais ainda ao aceitar a omissão e a mentira como verdades absolutas. O fato de nos iludirmos não deveria restringir o porque de não admitir um amor, um ódio, um gostar, um carinho. Mas restringe. Criamos uma ilusão de como as coisas devem ser e assustamo-nos quando elas não se encaixam no padrão.
Antigamente Amor à primeira vista parecia ser possível, hoje em dia os casais formados há uma semana não ousam proferir “Eu te amo” mesmo que seja verdade, com medo que isso espante sua cara-metade. Aquele seu professor mais sádico, vingativo… ai de você se ele de algum modo descobre que você comentou na internet o quanto você odeia ele. Tornamo-nos mais platônicos e mais catatônicos. Temos cada vez mais porcarias e nos contentamos com cada vez menos qualidade.
No fim, ficamos todos aqui, como imbecis incompletos protegidos atrás de sorrisos amarelos, recebendo o que nos é dado e simplesmente, aceitando que seja tudo assim. Cinza, deprimente e sem fim.
A Baía das Interações
A vida parece me sitiar com momentos e mais momentos em que parece-me faltar estrutura, apoio, visão. A despeito de minha confiança em minhas capacidades, torno-me incapaz de decifrar sorrisos e olhares. A sensação é de estar tornando-me cego, necessitando de um óculos para poder enxergar com clareza… mas mesmo vendo com clareza, não é completamente claro. Pois os olhos não podem ver tudo o que não é dito e as palavras retidas pelos dentes, cercadas em uma armadilha vocal, guardam todos os segredos e todos os destinos. O mais simples “Gostas?” muda tudo se for pronunciado. Fora o fato de ser difícil acertar o grau dos óculos… o famoso “Não vejo diferença” entre um grau e outro.
É nos entre-graus, nas medidas fora do padrão, nos micro-movimentos, que reside a maior parte do que está sendo dito. Em minha imbecilidade sufocante faço-me ver movimentos errados, sentindo falta daquilo que nunca tive, de coisas que nunca estiveram lá. Em minha corda bamba, lá está a frustração, me puxando, me desbalanceando, me fazendo cair. O ruim de cair da corda bamba é que machuca muito e depois pra ter a coragem para mais uma vez subir, dói mais um tanto.
Como barco que busca um porto seguro, escondo tanto em lugares escuros, pra ninguém nunca achar, nunca cutucar, nunca frustar, nunca derrubar. Só que, como um barco num porto seguro, por mais ‘seguras’ que as coisas estejam, elas ainda estão em algum lugar e ainda podem ser alcançadas e atingidas. E mais um vez, frustração, corda bamba, carregando pesos que sequer me pertencem em certos momentos… Eu caio.
O físico Erwin Schrödinger propôs, em 1935, um experimento para ilustrar a teoria da mecânica quântica. O experimento consistia em um gato colocado dentro de uma caixa isolada do meio exterior. Dentro da caixa, um frasco de veneno letal e de rápida ação que abrirá em um momento aleatório ou se a caixa for aberta. Passado um certo tempo, torna-se impossível dizer ao certo se o gato está vivo ou morto, tornando possível dizer que o gato está ambos – vivo e morto, ao mesmo tempo. Por mais tolo que isso possa parecer, creio que essa teoria se aplique muito além do reino da física. As situações são gatos em caixas, impossíveis de serem ditas como algo só por talvez serem ambos. Uma relação amorosa pode ser boa e ruim ao mesmo tempo, com seus altos e baixos tão básicos quanto as relações em si.
Talvez eu esteja me iludindo com a idéia da dualidade, talvez seja um modo de enganar o meu estômago que revira de nervosismo, um modo de enganar um coração que anseia por tanto. Talvez. Só saberia eu ao certo se eu abrisse a caixa, mas se o fizesse, tudo que poderia constatar é a realidade da ilusão. Com ela fechada, posso ficar no talvez, posso continuar a ser humano.
Heroísmo Contemporâneo – A definição de Herói no Século 21
O que define um herói contemporâneo? Seria sua resistência a dor física, sua falta de medo, seu machismo (ou feminismo)? Não, não creio que seja nada disso. Talvez minha imagem seja romântica demais, tem momentos que sou anacrônico mesmo, mas peço que me acompanhem.
Um herói é antes de mais nada um homem ordinário em uma situação que requer que ele seja extraordinário. Durante tempos de paz e prosperidade, o gênio se esconde, mostrando-se em face das piores situações. O herói será aquele que escolherá, quando a situação surgir, fazer o que é heróico. Talvez o ato seja justamente colocar-se no caminho do mal, expondo-se para proteger os outros. Talvez seja lutar para corrigir injustiças, talvez seja fazer algo moralmente questionável, mas que tem como resultado final algo bom.
Um herói, sendo um homem ordinário, sente medo, dor, chora, ri, come, dorme, ama. O que o torna extraordinário é ter a coragem para manter-se de pé encarando sua Hydra, resoluto. É saber que ele é humano tanto eu quanto você e que, através dessa semelhança primordial, nos inspira e nos torna pessoas melhores, talvez por seguir seu exemplo, talvez por querer provar nosso valor.
Valor. Por contraste com os outros homens e atos determinamos o valor de uma pessoa. Ghandi é considerado muito mais valioso à humanidade do que Jack Estripador. Honra, um herói tem, de maneira ou outra, sua palavra, seu código moral. Muitos irão chamar de tolo, mas tal sujeito estará disposto a sacrificar seu sangue por palavras. As pessoas juram muito, prometem muito, mas cumprem pouco. Um herói promete pouco, mas são promessas importantes e que, por definição, devem ser cumpridas.
Morte. Um herói sabe de seu destino, sabe que todos morrem e sua hora há de chegar. Sua consciência da inevitabilidade pode torná-lo mais sombrio, verdade, mas também pode torná-lo mais forte. Quanto mais ele aceita a morte, mais forte ele é para lutar em vida.
Um herói não conserva esforços, não, um herói usará cada grama de seu ser nas árduas tarefas que lhe são impostas, de uma maneira ou outra. Um homem incapaz vê alguém ser esmagado por uma rocha sem fazer nada, um homem ordinário é esmagado pela rocha, um herói destrói seus músculos no esforço mas não é esmagado nem deixa serem esmagados.
Um herói é capaz de conseguir aquele pouco extra que faz toda a diferença, aquele empurrão à mais que faz a alavanca funcionar, aquele empurrão à mais que guia e ilumina, ainda que entre nuvens e tempestades, nossa perdida humanidade.
Epifania
Coração leve, esquisito, como se querendo dizer algo…
Fazia tempo que eu não chegava e simplesmente começava a escrever o que vinha à mente. Fazia, não faz mais.
Tanta coisa que passou, que mudou, que permaneceu…
Estranho à quem puder sonhar, mudo meu modo de o mundo olhar…
Coração na garganta e nem sei direito porque…
Hoje, choro um rio de lágrimas. Parte de tristeza, parte de alegria, me sinto liberto, estou aqui digitando de olhos fechados…
Sinto como se tivesse perdido um monte… muito mais do que queria e muito mais do que jamais conseguirei recuperar, tenho um curta por acabar que me assombra, como uma mancha e que, me sentindo um idiota, conto pras pessoas como fosse um glória, mas me dói, profundamente, ter tal trabalho inacabado, coloquei sangue e lágrimas nesta cria. Tenho medo, tenho muito medo de não conseguir… não só o curta, mas um todo, o geral, o mundo é grande e o tempo me parece cada vez mais curto, como fosse partir do mundo amanhã e não tivesse realizado nada…
Não sei o que é amor de verdade, estou só, mais que isso, sou só… sonho algum dia encontrar alguém mas não sei, realmente não sei, cada vez me sinto mais inapropriado.
Quero tanto mudar, aprender, mas sinto uma letargia horrível
Tenho vontade de ir na chuva, olhar pro céu e gritar, mais nada…. Faz tanto tempo desde que eu gritei… Gritar, em plenos pulmões sem se importar com nada nem ninguém, só gritar pro abismo, sem deixar que ele te olhe de volta.
Por outro lado, me sinto leve, livre… tenho todo o tempo do mundo. As coisas vão se encaixar eventualmente… espero.
Meu futuro faço eu, um desenho por vez, uma poesia por vez, um amor por vez, um desejo por vez, até não sobrar mais nada pra desejar, pois ai podem me enterrar, pois só paro de querer quando morrer.
Quero construir um mundo melhor, quero ter filhos, quero plantar uma árvore, quero escrever um livro….
Meus pensamentos estão voando, não espero que façam sentido para qualquer um que não conheça minha mente, eu mesmo não entendo direito o que falo… Não ando fazendo muito sentido, estou confuso e perdido… alguém me dá uma mão e me tira da escuridão?
“ ‘Cause there’s beauty in the breakdown
So, let go, l-let go
Just get in
Oh, it’s so amazing here
It’s all right
‘Cause there’s beauty in the breakdown“
– Let go (Frou Frou)
200 miles to go
E a jornada continua e continuo eu aqui a registrar, neste diário de bordo.
O mar intempestuoso continua tentando virar a embarcação, mas os tripulantes são marinheiros experientes, vão ser necessárias mais que algumas ondinhas para mudar nosso rumo. A leitura das estrelas leva a crer que estamos corretamente indo em direção ao Norte, os homens estão temerosos do canto das sereias, Deus sabe quantos marinheiros já se perderam nas profudenzas com promessas vazias e crenças perdidas.
200 milhas, 200 milhas para chegar, 800 milhas já foram.
O ânimo geral está bastante positivo, tendo em vista nosso recente sucesso ao passar pelo Cabo das Tormentas.
Cordialmente,
Capitão Octavius.
Pêndulo
Falhas, erros, desvios, transtornos. Há males que vem pra bem, ouso dizer, mas é tão complicado, quando lá no fundo o que sinto é como se eu estivesse caindo num poço sem fundo, a luz cada vez mais distante mas sempre à vista, e, não bastasse, o eco aumenta a angústia.
E mais uma vez comprovo que os instintos de fato tem um quê de místico neles
E mais uma vez comprovo que continuo a cair.
E mais uma vez perco as esperanças e tudo que sinto vontade é de simplesmente me encolher num canto e lá ficar.
A vontade que dá realmente é de sumir da face do mundo, ficando só em silêncio num canto próprio, onde o tempo não passa, onde ninguém perturba, onde nada é nada e tudo é tudo. Um lugar para estar até a cabeça encontrar seu lugar e o coração poder se curar.
Mas o tempo passa.
E as pessoas perturbam.
E nada parece seguir no rumo que tento dar.
Quero mesmo acreditar que há uma saída.
“At first, dreams seem impossible, then improbable, and eventually inevitable”
–Christopher Reeve
Quão longe?
O quão longe você iria para poder mudar o que lhe cerca?
O quão longe você iria para obter o que quer?
Porque enquanto estivermos vivos, deveremos ter a resposta para tais perguntas. Mais ainda, devemos sempre saber o que irá reger essas perguntas.
É incrível como as criações mais horrendas provêm do homem. Não me refiro meramente a todas as armas e horrores físicos…
Os assassinos, os loucos, os monstros… são todos produtos de nossa escuridão. Logicamente, existe todo um fator biológico para ser levado em conta, mas a paranóia, a violência e a loucura… não seriam assim fossem diferentes as coisas.
E não, a loucura não se limita aqueles que estão internados em instituições. Não, não. A loucura…. a loucura está em filhinhos de papai que arrebentam o carro e agridem reportéres… a loucura está em fanáticos que raspam a cabeça e como o bando de imbecis que são atacam pessoas…. a loucura está nas empresas que colocam a vida humana na balança… a loucura está nas pessoas que fazem de tudo para subir na vida… a loucura está na aceitação dos crimes, na ceguice e imbecilidade das pessoas comuns. Não existe outro termo que eu poderia usar, nada define tão bem a situação absurda na qual a humanidade se encontra. Loucura, bárbarie, insanidade.
Quando as pessoas vão tomar a responsabilidade de admitir seus atos? Quando vão parar para pensar nas palavras que são regurgitadas e não simplesmente aceitá-las? Quando… e em tanto me questionar em quanto tempo ficaria eu pra sempre olhando o relógio.
Não cabe ao tempo resolver essa situação, cabe a nós, todos, sem exceção, mudar esse panorama. Mas é difícil, de fato, para sozinho mudar algo. Enquanto houver o voto de cabresto legalizado, enquanto a ilegalidade for o caminho da sobrevivência, enquanto esse ranso de horrores perdurar, tudo é mais difícil e tudo parece exigir um esforço de fato sobre-humano. É necessário algo… extraordinário.
É hora de mudar.
Nova Religião
Fui batizado quando pequeno e fiz a 1ª comunhão. Mas não sou católico. O que sou então?
Primeiro vejamos porque motivos acho complicadado ser católico (entre outras religiões).
Não sou capaz/não acredito no que se prega, nem sou capaz de ser hipócrita e simplesmente tomar uma religião para mim. O catolicismo prega a realização de obras para a entrada no céu, não conseguiria acreditar numa religião que prega de devemos ficar sustentando rituais onde a palavra rebanho adquire novo significado. Quantas pessoas param para realmente entender o que se é dito nas missas? Quando pessoas entendem o que a religião prega? Qualquer um que se diga católico e utiliza o domingo como dia de descanso/lazer claramente não entende nada da religião.
De uma maneira geral me recuso a seguir o Cristianismo, pois não sigo os 10 mandamentos. Roubar? Já fiz download de música e outros produtos virtuais, portanto, já roubei. Não tenho a ilusão de que isso não seja roubo. Só porque não existe fisicamente não quer dizer que não possa ser roubado. Sou contra a pirataria e tento evitá-la ao máximo. Acabo sendo prejudicado por esse país que tem pouco acesso a tantas coisas que quero, então muitas vezes não tenho muitas alternativas economicamente viáveis. Mas a semente da mudança existe.
Outra coisa, não garanto que nunca matarei um homem. Não tenho como predizer o futuro, mas se necessário, seja por sobrevivência ou para proteger aqueles com quem me importo, não hesitarei. O Cristianismo prega o pacifismo absoluto, tanto que os cristãos que eram levados a arena em Roma simplesmente ajoelhavam e deixavam-se devorar pelos leões. Não brinco nem minto, esse é o verdadeiro cristianismo, não essa coisa deturbada que vemos por ai. Talvez, os mais próximos da verdade sejam os Amish, que são capazes de perdoar assassinatos horrendos. Capazes de perdão… está ai algo importante.
Dentre as outras religiões, temos o budismo, o taoísmo, o hinduísmo, judaísmo, etc…
Mas nenhuma delas funciona para mim. Sou apegado demais aos bens materiais para ser budista (amo minha coleção de filmes). O taoísmo que ainda se aproxima mais do que acredito, por sugerir uma honestidade a natureza de cada indíviduo e como as ações revelam cada um. O Hinduísmo tem uma cultura fantástica, com a teoria de destruição e construção, mas não se encaixa no que acredito. O judaísmo… bom, quero me tatuar e isso é contra os ensinamentos judaicos. Contrastando com o taoísmo, temos o Confucionismo, que prega os ensinamentos de Confúcio (brilhante filósofo chinês), que apesar de contrário ao Tao, se aproxima de uma série de coisas que acredito. Não acredito em candomblé, nem espíritos, nada disso.
Eis que vem a pergunta, mas o que sobra?
Exato, o que sobra quando se remove a crença no externo? De onde deve vir a força? Vamos mais fundo ainda, o que é fé?
Tudo que sobra é o ser humano. Mais que isso, tudo que sobra é o universo do que conhecemos e não conhecemos, sobra a unidade que engloba tudo e o nada. Sobra o universo.
Fé pode ser definida como a força para acreditar no que possa ser ou não verdade. O ser humano tem na fé uma de suas maiores forças. Esperança e fé são essencialmente a mesma coisa, somente conotações diferentes. É a esperança que permite os maiores atos já realizados, muitos desconhecidos. Os sacrifícios, negando a natureza humana e agindo de maneira altruísta. A esperança de mudar algo e lutar por isso, seja com a espada, seja com a caneta.
A força vem de dentro, assim como as ações e as idéias.
Faz parte do ser humano tentar compreender o que lhe cerca, no entanto muitas vezes limita-se o campo de visão para o que cerca-lhe mais imediatamente. Vamos tentar pensar de uma outra forma. Se eu, aqui em São Paulo, coloco disponíveis pinturas na internet, em fóruns internacionais, talvez uma pessoa lá em Sydney vai olhar e ter uma idéia e vai expor essa idéia para amigos. Um desses amigos tem outra idéia e acaba por desenvolver um aparato que facilita a vida para pessoas com determinado problema. Enquanto isso, uma pessoa em Istambul utilizando o aparato será capaz de realizar algo que não conseguiria sem tal auxílio. Esse trabalho irá auxiliar sua comunidade local. Entende para onde estou indo?
Devemos compreender que não estamos sós e nem somos um bolo. É preciso compreender que somos e não somos Uno. É preciso compreender que comprar filme pirata num camelô causa um aumento no indíce de risco de investimento no país, que acaba por espantar investimentos de empresas que gerariam empregos fora da marginalidade, produzir-se ia com melhor qualidade e o consumidor teria algo melhor por um custo mais baixo.
É preciso compreender que quando compra-se uma droga ilícita estimula-se um mercado que consome vidas e acarreta consigo uma corrupção extrema. Se você consumir essas drogas, não venha reclamar do sistema policial corrupto nem da violência urbana, nem tente se passar por um humanitário. Saiba que tem gente morrendo para que isso seja assim.
As pessoas argumentam todo o tempo “Sou apenas um, não faço diferença”. Ora bolas, peguemos o oceano. Se eu tirasse um gota do oceano, você diria que aquilo é o oceano? Não, não diria muito provavelmente. Seria assim até que eu tivesse pego individualmente todas as gotas e não mais haveria oceano. No entanto, é uma pequena parte do oceano que faz ondas. E, queira admitir ou não, ondas fazem toda a diferença. Você faz parte do conjunto, queira ou não. Você tem capacidade de apresentar sua opinião às pessoas e elas tem capacidade de aceitá-la ou não, talvez mudando a delas. Você tem capacidade de lutar pelo que quer. Se eu dissesse que um médico argentino decidiu lutar violentamente contra um governo externo, o que você me diria?
Talvez você me dizesse que o médico era xenofóbico, talvez dissesse que era louco… ou talvez, apenas talvez, me dissesse que ele se chamava Ernesto Guevara Lynch de la Serna, mais conhecido como Che Guevara. Como ele se tornou tamanho ícone? Ele lutou, muito. Matou muita gente, salvou sabe-se lá quantas e não sei o saldo final. Mas ele marcou o mundo e sua ideologia permanece, em parte, até hoje. Algo tão imaterial como idéias pode perdurar por tantos anos… e ele era apenas um homem, não tão diferente de mim ou de você.
A minha religião… Sou universalista. Prego a paz, prego a cultura, prego a luta por mudanças, prego a justiça, lealdade, honestidade, prego o respeito mútuo e a liberdade para sermos quem somos, até mesmo para você ser católico ou judeu ou o que quer que você queira ser. Desafio qualquer um a encontrar um erro nessa religião ou algum ponto onde me contradigo. Não vejo o mesmo sendo possível das outras religiões, pelo menos não com 99% dos seguidores.
“Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia.”
–Liev Tolstói
O que guardo
Passada a prova da ECA, tudo que resta agora é estudar e torcer… pior da pior das hipóteses, ano que vem tem reprise.
Um peso enorme foi removido dos ombros, parece muito mais fácil estudar agora pra primeira fase (e até mesmo pra prova específica da Vunesp, que infelizmente deverá ser permeada por uma decoreba ingrata). Voltou meu tesão por fazer arte, estou doido para mexer com 3D de novo, quero brincar de artista. Quero estudar para fazer as coisas direito, quero fazer com que não mais exista dificuldade no trabalho com as ferrementas para que, afinal, a arte possa simplesmente fluir.
Não vejo a hora de mudar. Eu estava zapeando outro dia e parei por uns instantes num seriado que nunca tive paciência para ver um episódio inteiro sequer. Mas enfim, está lá o rapaz a escrever sobre mudanças. Como é difícil que elas aconteçam e como, quando as fazemos, por dentro as vemos como grandes eventos e esperamos que seja a última vez que tenhamos que mudar. É verdade, mudar é difícil.
Nesse aspecto sinto-me um estranho no ninho. Adoro mudanças, gosto de uma certa rotina, mas adoro mudanças. Não gosto de ficar guardando tralha, existem poucas coisas que pretendo manter desde a minha infância. Minha coleção de carrinhos de controle remoto não é uma delas. Nem meus bonequinhos antigos. Não que eu não goste de carrinhos nem de bonequinhos, ainda curto essas coisas (tenho miniaturas e queria comprar uns bonequinhos articulados tão legais…)… Mas nada disso ‘me pertence’, nada disso condiz com que sou, apenas com quem já fui. Aquele garoto recatado com cabelo penteado de lado, aquele garoto cresceu e mudou.
Mas não se trata apenas de mudar. Trata-se de mudar para melhor e, porque não dizer, evoluir. Porque quando criança ao livrar-me de brinquedos de bebê eu estava crescendo e agora que me livro de brinquedos de criança sou chamado de desapegado?
Havia comentado em um festa com um amigo que eu havia tornado-me um pacifista, mas vejo como estava errado. Sou um universalista. Deixe-me explicar, um universalista compreende como cada ser humano é único e como cada ação é preciosa. Um universalista intende que todos fazemos parte de algo maior e que uma voz é capaz de fazer a diferença. Num movimento do casamento da razão e da emoção, num respeito universal, numa busca de maior compreensão. Agora que coloquei meu posicionamento quanto ao mundo, quero mostra o porque desse devaneio extra.
Que diferença me faz um carrinho antigo de controle remoto? Ou então uns bonequinhos antigos? Nenhuma. Não espero que meus bens materiais me definam, somente quem sou define quem, bem, sou! Não tenho utilidade para eles. Não brinco, não uso como decoração, sequer lembrava de muitos deles. No entanto, sei bem que eles podem ser repassados para pessoas menos afortunadas, pessoas que terão um utilidade, que poderão construir boas memórias. Afinal, isso é tudo que temos. Memórias. Que valor eles nos teriam se não tivessemos memórias? Nenhum, seriam somente os produtos que são. E, no fim realmente final e infalível, nada disso levamos para o túmulo. Prefiro abotoar o paletó sabendo que ajudei alguém de algum jeito, pois cada gesto, cada pequena ação… pode fazer um mundo de diferença.
Temos mais poder do que pensamos.
“With great power comes great responsibility”
–Uncle Ben (Stan Lee)
Lá de onde venho
O conhecimento e entendimento do passado é fundamental. Estava eu cá a arrumar meu quarto, montando pilhas de recicláveis e de doações, quando esbarro com um caderno meu antigo, lá do ano de 2000, de poucos textos mas com uma curiosa semelhança com o presente.
Segue um segmento dum texto (Todos os erros e o estilo foram mantidos nessa transcrição):
“…Existia uma certa magia no ar
Até então a natureza brilhava
Mas o ar parou, a selva,
Se silenciou, viram uma
Lágrima de tristeza cair.
Todos Observaram o que
A ira podia fazer, a selva
Chorava, clamando por socorro,
Era o homem que a destruia,
Sera o homem a criatura
Mais inteligente do mundo,
Ou a mais perversa criatura
Que já botou os pés neste planeta,
Eternamente sagrado, a Terra”
Achei curioso, pois em fevereiro esse texto completa oito anos, ou seja, eu o escrevi aos 12 anos de idade. Naquela época já questionava coisas que questiono atualmente e nunca havia me dado conta. Acho que realmente, olhando o passado de alguém é possível dizer para onde a pessoa caminha.
“Conta-me o teu passado e saberei o teu futuro”.
–Confúcio
Mente sobre Matéria
As vezes me pego devaneando com coisas que eu desejo, e algumas parecem tão simple ao mesmo passo que complicadas.
Devo admitir que sou um tanto quanto controlador nas coisas que me competem. Gosto de não ficar limitado pela capacidade técnica nem pelos instrumentos, para ser livre para executar o melhor trabalho possível.
Mas e se o instrumento for meu corpo e a técnica for exatamente o controle desse? Mas não o controle normal que todos temos, um controle extra, saber contorcer-se de certas formas, ampliar a força (e lógico, deixar o corpo mais bonito e com um peso extra) e, a máxima das máximas na minha lista de desejos, conseguir equilibrar-me contra o chão com apenas um braço, pernas ao ar.
O motivo do título, talvez incoerente por eu retratar esse desejo de alterar e fortalecer justamente essa área que não diz respeito ao reino intelectual. Será? Afinal de contas, é a mente que deseja a mudança e desta vem o ímpeto para que se realize tudo. Não há poder sem controle, sem controle há apenas uma perigosa bagunça.
O dia que eu desistir de me aperfeiçoar, já sabe, jogue terra pois o paletó estará abotoado.
Breakaway
É horrível sentir a necessidade de escrever e, ao mesmo tempo, ser incapaz de compreender o que escrever.
Queria eu ter esse vazio preenchido, queria eu não sentir saudades do que não tenho nem nunca tive, queria eu ter a força necessária para fazer mais e melhor, queria, queria. E, por tanto querer, acabo aqui sem nada.
São tantas dúvidas, tantos receios, tantas inseguranças… Não cultivo ilusões de estar acompanhado, sei que, nessa vida, vivemos solitários, não importa quantas pessoas existam. Sinto-me cada vez mais distante do que sinto e incapaz, cada vez mais como um esteriótipo, sem chorar, sem sentir, sem demonstrar. Sinto-me afastado das pessoas, notando cada vez mais como hajo de maneira situacional e supérflua. Temo eu não chorar pelas perdas, que cada vez parecem ser maiores.
E o tempo passa, e o tempo corre, e eu continuo aqui, me sentindo prisioneiro dessa vida.
Quero eu digitar mais, mas já se torna impossível, visto que até as palavras me abandonaram.
“Grew up in a small town
And when the rain would fall down
I’d just stare out my window
Dreaming of what could be
And if I’d end up happy
I would pray (I would pray)
Trying hard to reach out
But when I tried to speak out
Felt like no one could hear me
Wanted to belong here
But something felt so wrong here
So I prayed I could break away
[Chorus:]
I’ll spread my wings and I’ll learn how to fly
I’ll do what it takes til’ I touch the sky
And I’ll make a wish
Take a chance
Make a change
And breakaway
Out of the darkness and into the sun
But I won’t forget all the ones that I love
I’ll take a risk
Take a chance
Make a change
And breakaway
Wanna feel the warm breeze
Sleep under a palm tree
Feel the rush of the ocean
Get onboard a fast train
Travel on a jet plane, far away (I will)
And breakaway
[Chorus]
Buildings with a hundred floors
Swinging around revolving doors
Maybe I don’t know where they’ll take me but
Gotta keep moving on, moving on
Fly away, breakaway
I’ll spread my wings
And I’ll learn how to fly
Though it’s not easy to tell you goodbye
I gotta take a risk
Take a chance
Make a change
And breakaway
Out of the darkness and into the sun
But I won’t forget the place I come from
I gotta take a risk
Take a chance
Make a change
And breakaway, breakaway, breakaway”
Breakaway (Kelly Clarkson)

