The Archive's Index
| S | M | T | W | T | F | S |
|---|---|---|---|---|---|---|
| « Aug | ||||||
| 1 | 2 | 3 | 4 | |||
| 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 |
| 12 | 13 | 14 | 15 | 16 | 17 | 18 |
| 19 | 20 | 21 | 22 | 23 | 24 | 25 |
| 26 | 27 | 28 | 29 | 30 | ||
Prosa - Posts
Latest 30 posts
By Day
By Week
By Month
By Year
By Category
Posts
Auguri
Posted by Otto Robba in Prosa on 25. Dec, 2009 | No Comments
Eu não quero desejar nada à ninguém meramente por educação, não, não. Se desejo é porque é sincero, é o que quero aos outros – e a mim. Não sou altruísta ao ponto de ser tão desligado de não falar em voz alta que quero algo bom para os outros sem pensar que quero também pra mim mas, não deixe que a realidade da situação desligue qualquer significado que eu possa estar querendo aqui, por esse parco texto transmitir.
A verdade é que eu desejo a felicidade à vocês nesse dia de hoje, pois bons são os dias comemoráveis e memoráveis. Tem jeito melhor de fazer um passado do que construindo boas memórias? Então não deixe que o almoço de família esquisito ou a ceia ansiosa precipitem a infelicidade. Dê um passo pra trás e olhe com um sorriso por saber que isso tudo vai passar e, com todas as falhas e desarranjos, esses momentos são únicos. Parentes bêbados, conflitos e atritos familiares, expectativas surreais… nada disso deveria definir o dia. O que define o dia é aquilo que você consegue extrair dessa confusão que é criada.
Porque, sejamos honestos, confusão é praticamente sinônimo de festividade. Trânsito, lugares abarrotados, gente estranha, festas esquisitas. Por que não, então, aceitar que as coisas são um teco menos precisas, um teco mais caóticas? Minha sugestão e meu desejo à todos: a felicidade, não só no dia de hoje mas na maior parte dos dias que houverem e tratemos as coisas com a mente um pouco mais aberta.
Afinal, ano que vem, tem mais.
Dias de Verão
Posted by Otto Robba in Prosa on 13. Dec, 2009 | 2 Comments
Por vezes nós nos deparamos com muros em nossos caminhos de pessoas e momentos que acabam marcando-nos como inesquecíveis, ainda mais em contraste a maior parte dos dias, que pouco significa – isso se chegar a causar algum impacto na vida. Mas em tanto lembrar, nós nos esquecemos que são superáveis.
A verdade me é que os dias passam e gradualmente, você também. As lembranças ficam guardadas em caixas numeradas, compondo a linha do tempo em que coexistimos. Mas tal como as estações devem deixar aquele ano específico pra nunca mais voltar, nossos caminhos se separam e termina o nosso calendário.
É assim que vivemos; riscando um dia por vez, uma página por mês, uma estação por ano, sabendo que ali, naquele espaço de tempo tão relativo, vivemos uma vida inteira – umas mais curtas, outras mais longas. Naqueles centímetros de papel na parede marcamos em nossa mente mundos inteiros que não mais habitamos.
Somos humanos, somos falíveis. Precisamos viver um dia por vez pois nós queremos amar ainda que não o saibamos fazer. Queremos mudar ainda que quase estáticos. Queremos sonhar ainda que receosos. Queremos poder olhar pro céu e sentir que fazemos parte desse mundo que anda se achando tão globalizado e ainda assim desconexo. Mas, como comecei esse parágrafo, acima de tudo queremos amar – e ser amados.
A chave de nossas memórias ainda me parecem ser as palavras, umas mais honestas outras mais abrasivas mas ainda assim, uma voz que diz algo. Se você tem algo a dizer, diga, não espere que os seus dias sejam riscados e você e eu tenhamos passado. Quem sabe essas linhas te inspiram a falar as coisas com sua própria voz. Pois a minha, escondida nessas linhas, assim o é muito silenciosa.
Sempre há um ano novo.
O Pintor de Paralelepípedos
Posted by Otto Robba in Prosa on 17. Nov, 2009 | No Comments
Desde pequeno eu nunca entendi bem a idéia de dedicação – não que eu não soubesse o que significava mas eu de fato não me aplicava com a essência do que define a palavra. Minha mãe dizia pra eu me aplicar nos estudos, pro vestibular, pras provas… mas eu empurrava com a barriga, gerenciava o tempo, estudava muito pouco. Eu não via necessidade nem tinha vontade.
E os anos passam e a gente cresce. Algumas coisas mudam e outras tantas, permanecem quase como manifestações biológicas, como fossemos indivisíveis de certas manias. É como se eu tivesse nascido sem conseguir me dedicar.
Sei que as regras da sociedade exigem que seja dado tempo às coisas para que se formule frases com uma certa certeza. Eu bem poderia dizer “Decidi que vou construir um iate” mas a idéia pareceria tão absurda que muitos só acreditariam se eu de fato o fizesse. Pois bem. Hoje eu finalmente consegui enxergar em mim mesmo a elusiva dedicação, aquele segmento que impele ao ato, que sabe que realizando um bom trabalho a gente termina com uma sensação de um dia bem aproveitado.
Dois dias estudando e sinto isso. Será que vou continuar assim? Não tenho como dizer ao certo mas tem uma vozinha dentro de mim gritando “PODE APOSTAR!”. Começa a fazer sentido a metáfora da luz se acendendo sobre a cabeça do homem, dando-lhe idéias, respostas, soluções – pois alguma luz em mim se acendeu e estou vendo um caminho adiante, cheio de dificuldades mas criado com o melhor princípio que posso imaginar: o Amor.
Hoje eu sonhei acordado, não com um futuro impossível mas com o presente, esse presente que faz jús ao nome e, como uma boa história, garante ter tido um começo e promete-me um bom fim.
Quadrados Imprevisíveis
Posted by Otto Robba in Prosa on 15. Nov, 2009 | No Comments
É uma coisa engraçada planejar o futuro – é tentar prever a cadeia de consequências dos nossos atos. São atos que dependem de atos que por sua vez dependem de outros atos! É nessas horas que eu bem que gostaria de saber jogar xadrez melhor. Se bem que, até mesmo os melhores jogadores de xadrez acabam presas da impossibilidade de prever todas as jogadas, seja contra um Deep Blue da vida ou do governo russo, pobre Kasparov.
Como então que eu, um mero mortal que parou no nível “xadrez para iniciantes” tem alguma chance de fazer a escolha certa? Acho que a resposta é complicada e simples, mais uma das muitas dicotomias da vida. Cada um tem um tabuleiro diferente, peças que se comportam de modo único e, às vezes, centenas de cores que disputam pela coroa ao mesmo tempo. Branco e Preto? Só no xadrez, na vida temos uma gama de cinzas tão grande que cada movimento de um peão cria ondas de causar inveja nos maiores lepdópteros teóricos.
Talvez seja presunçoso da minha parte assumir que sei algo sobre responder as questões que surgem nos corredores da vida mas eu acredito, com toda a honestidade que há no coração, que a resposta é tão importante, quanto permanecer fiel à ela. É saltar com os dois pés juntos, independente do tipo de terreno – às vezes a gente pula sabendo que pode afundar mas quem seria capaz de dizer se não vale (ou valeu) à pena?
É realmente como num jogo de xadrez; movemos as peças e precisamos aceitar que não há volta, que aquele movimento é final e é absolutamente inútil ponderar sobre ele após retirarmos a mão da peça. Mesmo sabendo disso, com carinho e ponderação deixamos a peça em seu lugar, fitamos a vida e dizemos “Sua vez”.
Dito Cujo
Posted by Otto Robba in Prosa on 15. Nov, 2009 | No Comments
Existem tantas metáforas pra definir a vida e o mundo que tem vezes que é até difícil escapar do lugar comum. As palavras que deveriam nos iluminar dividem-se em barras e cerceam nossa liberdade – é o ciclo do paradigma, do modelo pronto e enlatado, dum ditado que diz o que é certo e quem está errado.
As pessoas olham feio para aqueles que se desviam do padrão pré-estabelecido. Eu entendo, porque até há um certo sentido mas, parece que perde-se de vista o motivo do nascimento de tantos ditos, neologismos e crianças da língua: aquilo que não existe e o mundo não fornece, nós fazemos. Não é essa a essência da criatividade? Ou ainda, o que nos define como homens? Formular as respostas antes mesmo de ter as perguntas, é essa sábia prontidão que consegue enxergar, com a soma dos saberes, mais longe que qualquer um de nós.
Não é a visão que define o gênio? Se tivermos o desejo, usando-se dessa sabedoria coletiva, podemos tentar intuir um tanto dessa visão geral – e ai é de cada um perceber as coisas mas, acredito eu, a soma dos valores permite ver muito mais longe do que sugerem os modos da sociedade. Cortejar idéias diferentes não implica aceitá-las e só reafirma valores próprios pois, como diziam o linguísta Saussure, as coisas só existem por oposição. Quer ter uma opinião firme? Escute uma diferente.