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Poesia - Posts
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Minha Mulher
Posted by Otto Robba in Poesia on 06. Aug, 2010 | No Comments
As paredes do labirinto pareciam crescer,
Arranha-céus fazendo-se ver.
Ignorei-os,
Bufões.
Segurando a ponta do novelo
com ela por me guiar,
me senti um teco mais livre,
consegui respirar.
E na encruzilhada do desespero e dissolução
Armado tal como amado,
Um fim ao minotauro.
E segui a linha. Segui, de volta, retornando ao meu lar,
Aquele ali, ao seu lado, o meu lugar.
A outra ponta do novelo,
A outra metade do meu ser.
As Bailarinas
Posted by Otto Robba in Poesia on 06. Aug, 2010 | No Comments
Dançarinas no salão,
Reflexos em harmonia,
movimentos, momentum,
momentos.
Capturados numa imagem como fosse eterno,
Como se o artista ainda pudesse pintar.
E continuam lá, vivendo paradas
em movimento.
Aladas.
Criaturas soberanas, vivas mas não
humanas.
Algo mais, algo menos.
As bochechas rosadas,
A luz difusa,
O piso de madeira que as suporta.
Prova de que o passado
nunca passa
-não sem deixar um presente.
E ainda assim, se movem
Posted by Otto Robba in Poesia on 01. Aug, 2010 | No Comments
O garoto do espelho me olha e pergunta:
“O que você faz?”.
É uma reflexão sem respostas,
Uma corrida de cavalos,
Sem jóqueis nem apostas.
Apenas meus fantasmas cavalgando,
Por planícies que nunca existiram,
Em momentos que nunca foram,
Me levando à lugares que nunca cheguei.
Sinto meu coração afundar
pois aquilo que nunca foi
nunca mais será.
Continuo aqui, parado, inerte,
fitando uma imagem que é
um mero reflexo
de quem poderia ter sido.
Num Piscar
Posted by Otto Robba in Poesia on 01. Aug, 2010 | No Comments
Esse lápis na minha mão é o primeiro ponto de uma fábula,
É o canto de um conto, uma tabula rasa.
Escrever é mais do que ordenar letras e palavras
- é embutir segredos e sentidos, ocultos entre vírgulas.
São suspiros de amor, cuneiformes.
Livro Paulistano
Posted by Otto Robba in Poesia on 25. Jul, 2010 | No Comments
O girar das rodas da bicicleta,
Cisnes em fila deslizando,
Roupas balançando ao vento,
Cabelos puxados atrás da orelha.
Histórias acontecendo, nesse instante.
Temos começos e fins,
metades boas ou ruins.
Vidas se vão,
como aos patos vai o pão.
Migalhas aqui e acolá,
umas vão se afundar.
As nuvens agora alaranjadas:
O Sol vai se despedir.
O dia vai terminar.
Mas as histórias vão continuar.
Fragmentos que nunca vamos ler,
Personagens que não iremos conhecer.