Nos Tempos de Hoje
Agora é uma sexta-feira e nós vamos nos encontrar,
duas horas atrás eu não conseguia te beijar,
agora são dez anos no passado,
éramos estranhos.
Agora é 13 de janeiro de 2010 e tenho medo de perguntar,
5 dias antes, não sabemos o que somos.
4 de Outubro, somos amantes. Brigamos.
Recompomo-nos.
Mais que momentos em sucessão,
Paro para olhar
tudo acontecendo
agora.
Beijos, despedidas,
encontros, tudo ao mesmo tempo,
agora.
Asas nos seus olhos
Nos imagino dançando,
Sem nada a nos cercar,
Você consegue ouvir
Nossa música?
Essa dança que dançamos,
de tão bela convenceu
as folhas ao vento
conosco virem bailar.
Giramos, giramos, giramos.
Acordes como gotas de água,
Uma tempestade de emoções e sentidos,
Dançamos nessa torrente,
Dois sobreviventes num navio
que só afundou até a metade.
Dançamos no salão enquanto
todos já fugiram.
A cada movimento,
mais nós nós somos.
E mais livres nos tornamos.
Por um instante é como nada mais houvesse,
Nossos pés passaram pela terra, pela seda,
pelo concreto e terminam aqui, nos sonhos.
Dançamos, dançamos
com as paisagens passando, borrões poéticos
do nanquim dos seus olhos.
Do Poeta à Musa
Amar é simples;
é mesmo tendo todas as opções
escolher o seu abraço.
É escolher ser seu.
Sempre com uma certeza
que não há noutra ação.
Amor é um teco de loucura,
é muita devoção.
É entregar-se todo
sem ninguém ter que pedir.
É escrever poesia de madrugada
Só pra tentar um teco mais te seduzir.
Armas do Amor
Me encontro a brigar por sua causa,
Sim, sim, por você.
Brigo com as cobertas
por não querer dormir só.
Tudo que eu quero é uma vida.
Talvez se nunca tivéssemos descoberto
esse nosso caminho, fossemos felizes,
sozinhos.
Mas eu duvido.
Tudo que eu quero é uma vida,
uma vida inteira.
Nunca conheci alegria maior que o seu sorriso,
mas estou pronto para conhecer
no seu sorriso de amanhã.
Tudo que eu quero é uma vida,
uma vida inteira ao seu lado.
Só você se supera…
Tudo que eu quero é uma vida,
uma vida inteira ao seu lado.
Todo o seu tempo o tempo todo.
Numa vida de vinte e quatro horas,
deixa eu ser o seu dia.
Perfume de Mulher
Eu quero explorar seu corpo,
Percorrer sua pele,
subir pelo seu pescoço
e susurrar ao seu ouvido.
“Eu quero você”.
Eu quero ser a água da chuva
que escorre pelo seu decote.
Que ser o vento que sopra
pelos seus lábios.
“Eu amo você”.
Eu quero te envolver
até tornar impossível
dizer onde eu termino
e você começa.
“Você, apenas você.”
Sem repetir palavras
Não quero te fazer conhecer
palavras não gentis
nem sentimentos
sem sentido.
Existe melodia no que você me diz.
Eu sei que é real
pois te quero não apesar dos defeitos
mas por eles inclusive.
É querer o todo sem negar o conjunto.
Seus olhos lindos não são a única parte a me fazer suspirar.
Se te pergunto o que você está pensando
entenda não é pra chatear mas…
é porque eu quero me entrelaçar
nos seus pensamentos.
Fazer parte do seu mundo, te entender por completo.
Porque o mundo é sim uma folha em branco,
carecendo de exploradores – sonhadores.
E eu nos vejo numa página em que
o livro ainda não chegou.
É impossível explicar o que ninguém mais pode ver.
Um futuro fundado no amor.
Sólido, pois é essa a fundação,
Eterno, por durar em uma vida,
uma vida.
Tudo o que eu quero é todo o seu tempo, o tempo todo.
E se você sentir se perder,
se força lhe faltar e o mundo for cruel.
Na sua hora mais sombria
Acenderei a luz pra te guiar aos meus braços.
Te dar coragem pra na tempestade navegar.
O tempo todo acreditando, não, mais que isso,
sabendo. O mundo
não é justo.
E eu entendo. Eu te entendo.
E eu quero te adornar com abraços pra fazer valer o que estou a te dizer.
E pensar que já fomos estranhos,
com caminhos que poderiam
nunca ter se cruzado…
Pensar que andamos juntos.
Com cuidado, pois nós, tendo apenas sonhos, colocamo-os aos nossos pés.
Tendo andado sobre pedras,
Em tanto perambular perdidos,
nos permitimos agora
Caminhar em sonhos.
Com cuidado, para que durem. Com carinho, para que cresçam.
Passos à dois,
Com amor,
sempre seu.
Só você e eu.
Ao seu alcance
Me sento pra fazer uma arte que jurei haver perdido
entre as orelhas das páginas.
Mas a verdade é que não desaprendi, apenas mudei
Não preciso escrever pra fazer poesia.
Cada dia que passa é mais fácil criar,
enxergar a poesia que sempre foi,
que há – que sempre será.
A verdade é que as palavras são fracas,
um semblante frágil da realidade que se expõe.
E então eu vejo e eu sinto
esse poema não-escrito.
O seu cheiro na minha cama,
A sua cabeça no meu peito,
Nossos olhares descansando,
à olho nu, nus em nós.
Breves instantes em que menos é mais,
Uma sinestesia silenciosa.
Um bravo mundo novo,
um mundo de possibilidades.
Haikai
Eu achei que te conhecia tão bem
tanto quanto saber fazer pedras pularem na água.
Mas elas afundaram.
Campesinato
Reflexos em espelhos quebrados,
Desenhos em papel de parede descascado.
É uma casa agora já velha e a vida que aqui havia
não há.
Entre tudo que se deveria fazer
poderia fazer
queria fazer
não faz.
A chuva toca tambores no telhado,
As goteiras pingam pianos.
Mas o pianista que tocava
não toca.
É o palco de uma vida que já foi,
De um casal que ali começou,
De crianças que ali cresceram,
De vidas que ali aconteceram.
Não são.
O que dizer quando tudo que restou são escombros sem memórias,
Quando tudo que nos sobrou foram tábuas
apodrecidas e decadentes, metáforas entre gigantes de concreto.
Vivendo só uma vez
Vinte e alguma coisa
e já é tarde, tarde demais
pra viver de menos.
Dias são instantes em anos
que começam a voar;
não há mais tempo.
Não há outra chance,
Não há outra pessoa,
Não há mais nada.
E todo o tempo passou.
Vinte e alguma coisa
de tudo que já se foi
e do que nunca
mais será.
Entrelinhas
Lugares que só os párias sabem encontrar,
entrelinhas, entrelinhas.
Onde os carros não passam,
ruazinhas, ruazinhas.
Onde escuta-se o palpitar do coração,
quietinhas, quietinhas.
Lugares perdidos em becos escuros,
Em linha entre as linhas do concreto,
Secreto – passageiro.
Se existe vai me encontrar,
se o tempo passa não passará.
Lugares que só os párias sabem chegar,
entreaqui, entrelá.
Musa entre Homens
É difícil viajar por caminhos não construídos, buscando trilhas que ninguém nunca encontrou. Talvez seja mais fácil no mundo cartográfico pois sempre há um norte, um céu à fornecer informações de onde se está. Mas e quando começamos a passar ao reino das coisas que não podem ser vistas, apenas percebidas, quando adentramo-nos no espaço que a imaginação ocupa, como faz-se para encontra tais trilhas?
Não há um céu que possa nos instruir, o único compasso é o moral, as locações não são cartográficas, são finitas e ainda infinitas, diminutas e expansivas. A verdade é que é assustador por ser um espaço que abraça o mundo mas não pode ser visto, não pode ser expresso – pode apenas ser imaginado. Como então, novamente, encontrar tais trilhas?
Vou chegando à conclusão de que não há um método específico, que em certos momentos os elementos serão abstraídos do ambiente, atingindo a pessoa tal como a inspiração súbita dum subconsciente trabalhando atrás da cena. Noutros momentos, será resultado de trabalho, experimentação – tentativa e erro. Tentativa. Talvez a chave seja sempre essa, tentar realizar, independente de conseguir ou não. Se Thomas Edison permitiu-se falhar milhares de vezes até acertar, por que então não nos permitimos justamente, errar para acertar?
Me parece muito psicótico um mundo que espera resultados precisos em prazos obscenos – as fraquezas ocultas não permitem revelar o verdadeiro carácter, apenas talvez a falta de algum. Num espaço infestado pelo marketing pessoal, por intrigas e politicagem, a experimentação padece de atenção pois não é sempre prática, nem sempre produz resultados rentáveis. Nem sempre é, por falta de palavra melhor, sana.
A imaginação serve a pena por um crime que cometeu – o de ser tão expansiva ao ponto de abraçar qualquer idéia.
Nada é tão louco e surreal que não possa ser imaginado.

