Musa entre Homens
É difícil viajar por caminhos não construídos, buscando trilhas que ninguém nunca encontrou. Talvez seja mais fácil no mundo cartográfico pois sempre há um norte, um céu à fornecer informações de onde se está. Mas e quando começamos a passar ao reino das coisas que não podem ser vistas, apenas percebidas, quando adentramo-nos no espaço que a imaginação ocupa, como faz-se para encontra tais trilhas?
Não há um céu que possa nos instruir, o único compasso é o moral, as locações não são cartográficas, são finitas e ainda infinitas, diminutas e expansivas. A verdade é que é assustador por ser um espaço que abraça o mundo mas não pode ser visto, não pode ser expresso – pode apenas ser imaginado. Como então, novamente, encontrar tais trilhas?
Vou chegando à conclusão de que não há um método específico, que em certos momentos os elementos serão abstraídos do ambiente, atingindo a pessoa tal como a inspiração súbita dum subconsciente trabalhando atrás da cena. Noutros momentos, será resultado de trabalho, experimentação – tentativa e erro. Tentativa. Talvez a chave seja sempre essa, tentar realizar, independente de conseguir ou não. Se Thomas Edison permitiu-se falhar milhares de vezes até acertar, por que então não nos permitimos justamente, errar para acertar?
Me parece muito psicótico um mundo que espera resultados precisos em prazos obscenos – as fraquezas ocultas não permitem revelar o verdadeiro carácter, apenas talvez a falta de algum. Num espaço infestado pelo marketing pessoal, por intrigas e politicagem, a experimentação padece de atenção pois não é sempre prática, nem sempre produz resultados rentáveis. Nem sempre é, por falta de palavra melhor, sana.
A imaginação serve a pena por um crime que cometeu – o de ser tão expansiva ao ponto de abraçar qualquer idéia.
Nada é tão louco e surreal que não possa ser imaginado.
