Jardim dos Sentidos
Brotam as palavras na primavera das letras,
Despojadas de pudor,
Repletas de cor.
Nesse jardim que tanto cuidei e colhi,
Sinto que por amor,
quase o perdi.
Sinto que por amor,
venci.
Pois deixei minha memória em grãos
Para o vento levar
Para as formigas comerem.
Deixei a memória da minha mão na sua coxa,
A lembrança do seu cabelo escondendo seu rosto,
A memória do seu cheiro, do seu gosto.
Não deixei por descuido nem desapego,
Deixei com razão – pra alimentar a terra
e fazer crescer o que há no coração.
Hoje temos frutas frescas no pé,
Beijos plantados nos lábios,
servidos na cama, servidos no café.
