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Anatomia de um Acidente

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Vivo a dicotomia do dia e da noite.
Acordo cedo, rogando pragas à luz do Sol,
Quero dormir, sonhar… mas agora não é momento,
Levanta e vai trabalhar.

Mas a noite chega, todo dia. E
chega com ela o silêncio.
Mas o silêncio que aprendi a amar,
o silêncio que me acolheu
sinto hoje que revolto-lhe.

Onde haviam colinas vejo surgir pontes,
talvez sejam mesmo os moinhos gigantes,
talvez esteja eu louco por assim os vê-los.
Talvez seja tarde demais para ser noite de novo.

Onde errei? Foi na cisma da rima,
de compor cada momento como um todo,
de achar sentido onde não há e criar fábulas
do que poderia ser mas não o é.
Meu erro é a verossimilhança e
pensar que no outro
encontro de mim
um tanto e
tão pouco.



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