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Fobia do Sono

A mente em pânico não aceita ir dormir,
Medo do tempo passar, do que está por vir.
Medo de acordar amanhã tal como me deitei,
Medo de nunca acertar o que errei.


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Atravessando Pontes

Eu desci a colina até me perder
na neblina, de sua alma, de nossa sina.

Me achei idiota por me surpreender
ao ver que quem você queria
eu nunca poderia ser.

É difícil querer ficar
quando todos parecem dormir
É difícil de te amar
sem poder no mundo intervir.

Me senti morrer à sombra do seu ser.
E no silêncio, tudo ficou tão claro
e só então entendi que por esse sonho,
paguei tão, tão caro.


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Andando sobre Água

A batida é simples e me lembra outra canção -
Aquela que escuto quando ouço seu coração.

A ideia de você me inunda a alma
E eu tento manter a calma
Pois a saudade aperta e comprime,
A verdade é que até me deprime.

Enquanto isso, todos falam pra ir devagar
Mas não é questão de pressa
é só questão de amar.

E fico assim, piegas sem fim,
Recitando em plenos pulmões
sobre a ilha em que habitam
dois corações.


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Nossas Palavras no Muro

As palavras falam duma varanda num verão;
de pessoas que cresceram juntas
e nasceram separadas.

As palavras falam do amor e sua vazão;
de pessoas que amaram juntas
e nasceram separadas.

As palavras falam de memórias ao mundo entregues;
de pessoas que morreram juntas
e nasceram separadas.

E em não viver só, não amar só, não morrer só,
as palavras falam de tudo que as pessoas sonham juntas
- ainda que nascem separadas.


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Ambivalência

Eu não conheço ninguém
que possa nem ninguém
que saiba nem ninguém
como você.

Eu não sei se a conta está certa,
Não sei se é gráfico de curva
ou de reta.

Tenho pouco e tanto a oferecer,
pouco a mostrar mas muito a querer.
Me sinto tão à parte
Que faço parte.


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Vale das Sombras

A rua se prolongava sem fim,
Um pedaço do monstro – um pedaço de mim.

A falta de luz muito lhe ajudava a ver
que sem luz, qualquer coisa poderia
ele
ser.

Os gritos abafavam os passos,
O monstro apagava os traços -
a doença no seu sorriso,
o choro tornando o chão molhado e então,
liso.

Escorrei na catástrofe e me deparei
com os corpos de quem
matei.


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Cria de Rua

Amaldiçoei as sombras que se projetavam
e consigo – chorei – pelos sonhos
que elas arrastavam.

Do ventre cinza nasceu
plastificado na revista
quem nunca pertenceu.


Fobia do Sono

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