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Dois Pontos e Uma Vírgula

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É difícil não olhar com certa arrogância pro mundo quando se tem como base preceitos tão claros, tão fortes, que certas opiniões e desejos alheios parecem absolutamente estúpidos. Meu primeiro ponto é que vivemos num mundo em que as pessoas querem certezas – elas ousam pedir garantias, incapazes de ver que a idéia de existir algo como uma garantia é uma ilusão em si. Se alguém quer trair, um anel não impedirá. Se alguém quer roubar, um alarme não impedirá. Se alguém quer matar, uma lei não impedirá.
Tudo se decompõe à essência de como todas as ações sociais e observáveis começam – escolhas internas, partes de um processo intrincado de julgamentos e arbítrios. Todo passo dado é uma escolha efetiva ainda que muitas vezes inconsciente – ou quase.
Chego então no meu segundo ponto; o significado da vida. Parece que é uma pergunta absolutamente impossível mas eu juro que é mais simples do que parece e, pra completar, se relaciona com o que falei sobre escolhas. A vida não é nada mais senão fazer significar. As palavras que falamos são apenas palavras, os objetos que temos apenas objetos mas… nós fazemos tudo isso obter um significado. Através da concatenação de significados, construímos algo tão maior e extraordinário, um milagre matemático de possibilidades improváveis. Através das nossas escolhas e significados, fazemos significar a vida.
Presunçoso? Sem dúvida. Mas eu não ofereço garantias de que estou certo, apenas digo que acredito estar.



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