Agora, José; Sorria.
É sem dúvida frustante o quão rápido o tempo se esvai quando estamos com quem gostamos. Horas se comprimem em memórias repletas de odores, sorrisos, abraços e apertões, leves e marcados, movimentos que não poderiam ser outra coisa senão afeto. E quando essas horas terminam e tudo que sobra é o solavanco do ônibus no caminho de casa, dá uma certa sensação de vazio e nos pegamos parafraseando Drummond em nossas cabeças.
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
Mas, em tentando lidar com essa frustação do badalar e da abóbora, parte de mim grita respondendo. Seja como for a brevidade desses encontrões no tumulto que é a vida, cada segundo a mais é um segundo a menos, nos aproximando do final e afastando do começo – grãos de areia que percorrem um sentido só, sem nunca retornar, sem permitir um relance, uma segunda chance de aproveitá-los.
Mais do que nunca me faz sentido a palavra ‘conviver’. Ao viver com, partilhar experiências e criar memórias, estamos escolhendo ainda que de maneira inconsciente, à quem entregar parte de nossa vida – . E, no final da noite, não poderia eu estar mais feliz por quem eu escolhi e por quem me escolheu.
