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Garoto Impulsivo na Cidade Grande

Talvez eu esteja julgando a cidade cedo demais, mas minha nossa, meu primeiro impulso é dizer como é todo mundo assustado por aqui!! Repetem que “É muito cedo pra isso, melhor esperar mais um tempo”. Tempo? Relógios medem relógios então quem mede o tempo? De onde venho, as coisas não são medidas por ponteiros mas por aqui, relógios-métricos definem as possibilidades. Confesso ficar assustado com isso.

Será que ninguém percebe que em 7 dias pode ser tarde demais? Que em 7 anos pode ainda ser cedo? Quanto tempo é necessário para se conhecer alguém? Tem gente que é mais sincera em 10 segundos que outros o são em 10 anos – a espera não muda a natureza de cada um.

A profusão de números e datas deve provir de alguma tabela, tenho quase certeza – é tudo tão preciso, tão exato, tão convencional. Parece que até os impulsos eles querem controlar. Os Impulsos! Imagine só!
Talvez eu faça mais burradas e me arrisque mais do que eles, mas se tiver que olhar pra trás e ver tudo o que consegui, aprendi, vivi… é impossível dizer que não valeu a pena. Errei caminhos por impulso só para conhecer ruas que pra sempre mudaram minha trajetória.

Mas o que mais me assustou foi quando tentaram quantificar o amor e descrever seus processos. De todas as coisas, justo o amor? O amor, esse fora-da-lei que rouba corações, prende olhares, furta beijos? O que é o tempo para o amor? Quem seria capaz de dizer que é cedo e não tarde?

Justificam que é besteira, que é preciso esperar pra não errar. Desde quando fazer besteira é uma coisa ruim sem lado bom? Será que ninguém aprende fazendo besteira? Será que ninguém erra? Porque de onde venho, errar é normal. A gente erra pra acertar e não fica se jogando pra baixo quando erra. A vida é assim, paciência. Depois de um erro ou um acerto, o passo é sempre o mesmo: pra frente.

Não só mas será que todo ato fora da tabela resulta em erros? Conheço tantos erros que acontecem dentro da tabela, será que esse sistema deles funciona pra prevenir qualquer coisa? Começo a achar que não. E começo a achar que eles estão se enganando. Nós não somos uma equação matemática precisa, a minha soma não dá o seu resultado e assim é com todo mundo.

Honestamente, esse povo da cidade grande me é um tanto estranho e admito me sentir podado com seus olhares de constante reprovação, mesmo que eu não concorde com o modo como eles medem as coisas. Não é fácil ser um garoto impulsivo apaixonado com idéias na cabeça. Eles me olham como eu fosse doido e agora não quero mais compartilhar minhas idéias com eles. Ironicamente, vou deixar eles esperando.


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Maresia Amorosa

Talvez seja isso que faça
Quem se ocupa de amar;
Tendo tanto pra dizer
Sem ninguém pra escutar.

A folha de papel acaba por ouvir
O quanto que dói
-Ainda que só por um dia-
Ter que se despedir

Porque só nas linhas digo
O quanto me vira as entranhas
Te expor ao perigo,
Às situações estranhas.

E é só nos versos que declaro
Como até quando tudo está escuro
O que quero está claro.

E, é apenas em minha rima,
pobre, simples e desajeitada,
Que bate o coração que
Não pede mais nada.

Talvez seja isso que faça
Quem se ocupa de amar;
Viver em terra,
se sentir no mar.


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O Amor faz o Poeta

A chuva que já secou um dia nos molhou.
O meu olhar fita o seu agora no passado
Como queria que o tempo
me deixasse sempre ao seu lado.
Sem precisar nunca se despedir,
Pra sempre te vendo
com os olhos sorrir.

Posso estar de amor cego,
admito, não nego,
mas nunca vi tão claramente
o que só o coração sente.


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Dois Pontos e Uma Vírgula

É difícil não olhar com certa arrogância pro mundo quando se tem como base preceitos tão claros, tão fortes, que certas opiniões e desejos alheios parecem absolutamente estúpidos. Meu primeiro ponto é que vivemos num mundo em que as pessoas querem certezas – elas ousam pedir garantias, incapazes de ver que a idéia de existir algo como uma garantia é uma ilusão em si. Se alguém quer trair, um anel não impedirá. Se alguém quer roubar, um alarme não impedirá. Se alguém quer matar, uma lei não impedirá.
Tudo se decompõe à essência de como todas as ações sociais e observáveis começam – escolhas internas, partes de um processo intrincado de julgamentos e arbítrios. Todo passo dado é uma escolha efetiva ainda que muitas vezes inconsciente – ou quase.
Chego então no meu segundo ponto; o significado da vida. Parece que é uma pergunta absolutamente impossível mas eu juro que é mais simples do que parece e, pra completar, se relaciona com o que falei sobre escolhas. A vida não é nada mais senão fazer significar. As palavras que falamos são apenas palavras, os objetos que temos apenas objetos mas… nós fazemos tudo isso obter um significado. Através da concatenação de significados, construímos algo tão maior e extraordinário, um milagre matemático de possibilidades improváveis. Através das nossas escolhas e significados, fazemos significar a vida.
Presunçoso? Sem dúvida. Mas eu não ofereço garantias de que estou certo, apenas digo que acredito estar.


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From the Machine; God

Expected perfection out of me
But they just couldn’t see that
I couldn’t hold the world in place
And thus I fell into eternal disgrace.

They undressed me with their eyes,
Saw my flaws and built the lies.
I shouted for them to let me go,
Sever the chord, cut all the ties.
They only stared me dead in the face
And told me to know my place.


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Exploradores da Folha em Branco

É estranho ser estrangeiro,
ver o mundo por olhos castanhos,
Andar entre fantasmas de pessegueiros,
Entre sombras de estranhos.

Mas de vez em quando,
quando a sorte sorri e a chuva não pára,
Quando todos olham pra baixo e ninguém repara…
Estrangeiros se encontram em casa.

Braços que sabem acolher,
Beijos para te receber,
Olhares que fazem saber;
Nesse mundo louco e engravatado
Nada supera vagar ao seu lado.


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O Primeiro Poema

Não é menos sincero o clichê
por ser clichê.
Nem menos verdadeiro dizer
que amo você.

Me servem as palavras para comunicar,
Que nenhuma outra eu poderia amar
Como aquela tão bela que sabe rimar
Um beijo, um sorriso, um olhar.


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Agora, José; Sorria.

É sem dúvida frustante o quão rápido o tempo se esvai quando estamos com quem gostamos. Horas se comprimem em memórias repletas de odores, sorrisos, abraços e apertões, leves e marcados, movimentos que não poderiam ser outra coisa senão afeto. E quando essas horas terminam e tudo que sobra é o solavanco do ônibus no caminho de casa, dá uma certa sensação de vazio e nos pegamos parafraseando Drummond em nossas cabeças.

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?

Mas, em tentando lidar com essa frustação do badalar e da abóbora, parte de mim grita respondendo. Seja como for a brevidade desses encontrões no tumulto que é a vida, cada segundo a mais é um segundo a menos, nos aproximando do final e afastando do começo – grãos de areia que percorrem um sentido só, sem nunca retornar, sem permitir um relance, uma segunda chance de aproveitá-los.
Mais do que nunca me faz sentido a palavra ‘conviver’. Ao viver com, partilhar experiências e criar memórias, estamos escolhendo ainda que de maneira inconsciente, à quem entregar parte de nossa vida – . E, no final da noite, não poderia eu estar mais feliz por quem eu escolhi e por quem me escolheu.


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Twogether

Born without a clue
of who is who,
I’ve learned it’s easy to know
it is you.

Life is an adventure
one needs not brave alone.
But you better be careful
With who you bring home.

I’ll help ’cause
it is easy to show,
Who is right and who
has to go.

It is all in how you greet,
and how you stand
in the rain.

If you can say goodbye
And you don’t wanna say hello
Than they gotta go.
They gotta go.

If a goodbye cannot be cast
And ‘hello’ has so long ago been said
That you don’t remember ever being apart,
She’s got you by the heart.


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