Kilômetro 28
O infinito pisca verde e disfarçado
-Preso num relógio, não pode ser tocado.
Temos poeira nos olhos e esfregamos pra ver,
Ele observa nossa rotina;
Sem parar pra pensar nem ser
Os dentes, a mala, as cortinas.
Chaves.
Partimos.
Andamos, dirigimos, trabalhamos, dirigimos, andamos,
Voltamos.
Cansados e sem saber fazer das palavras rimas,
Obstinados por algo maior sem perceber;
O infinito continua sem ceder,
Piscando no despertador,
incansável, soberano e cheio de rancor.
Nos deitamos aterrorizados pelos números;
Amanhã eles se repetem.
E nós também.
Deus nos ajude.
