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O Pintor de Paralelepípedos

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Desde pequeno eu nunca entendi bem a idéia de dedicação – não que eu não soubesse o que significava mas eu de fato não me aplicava com a essência do que define a palavra. Minha mãe dizia pra eu me aplicar nos estudos, pro vestibular, pras provas… mas eu empurrava com a barriga, gerenciava o tempo, estudava muito pouco. Eu não via necessidade nem tinha vontade.

E os anos passam e a gente cresce. Algumas coisas mudam e outras tantas, permanecem quase como manifestações biológicas, como fossemos indivisíveis de certas manias. É como se eu tivesse nascido sem conseguir me dedicar.

Sei que as regras da sociedade exigem que seja dado tempo às coisas para que se formule frases com uma certa certeza. Eu bem poderia dizer “Decidi que vou construir um iate” mas a idéia pareceria tão absurda que muitos só acreditariam se eu de fato o fizesse. Pois bem. Hoje eu finalmente consegui enxergar em mim mesmo a elusiva dedicação, aquele segmento que impele ao ato, que sabe que realizando um bom trabalho a gente termina com uma sensação de um dia bem aproveitado.

Dois dias estudando e sinto isso. Será que vou continuar assim? Não tenho como dizer ao certo mas tem uma vozinha dentro de mim gritando “PODE APOSTAR!”. Começa a fazer sentido a metáfora da luz se acendendo sobre a cabeça do homem, dando-lhe idéias, respostas, soluções – pois alguma luz em mim se acendeu e estou vendo um caminho adiante, cheio de dificuldades mas criado com o melhor princípio que posso imaginar: o Amor.

Hoje eu sonhei acordado, não com um futuro impossível mas com o presente, esse presente que faz jús ao nome e, como uma boa história, garante ter tido um começo e promete-me um bom fim.



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