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Quadrados Imprevisíveis

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É uma coisa engraçada planejar o futuro – é tentar prever a cadeia de consequências dos nossos atos. São atos que dependem de atos que por sua vez dependem de outros atos! É nessas horas que eu bem que gostaria de saber jogar xadrez melhor. Se bem que, até mesmo os melhores jogadores de xadrez acabam presas da impossibilidade de prever todas as jogadas, seja contra um Deep Blue da vida ou do governo russo, pobre Kasparov.

Como então que eu, um mero mortal que parou no nível “xadrez para iniciantes” tem alguma chance de fazer a escolha certa? Acho que a resposta é complicada e simples, mais uma das muitas dicotomias da vida. Cada um tem um tabuleiro diferente, peças que se comportam de modo único e, às vezes, centenas de cores que disputam pela coroa ao mesmo tempo. Branco e Preto? Só no xadrez, na vida temos uma gama de cinzas tão grande que cada movimento de um peão cria ondas de causar inveja nos maiores lepdópteros teóricos.

Talvez seja presunçoso da minha parte assumir que sei algo sobre responder as questões que surgem nos corredores da vida mas eu acredito, com toda a honestidade que há no coração, que a resposta é tão importante, quanto permanecer fiel à ela. É saltar com os dois pés juntos, independente do tipo de terreno – às vezes a gente pula sabendo que pode afundar mas quem seria capaz de dizer se não vale (ou valeu) à pena?

É realmente como num jogo de xadrez; movemos as peças e precisamos aceitar que não há volta, que aquele movimento é final e é absolutamente inútil ponderar sobre ele após retirarmos a mão da peça. Mesmo sabendo disso, com carinho e ponderação deixamos a peça em seu lugar, fitamos a vida e dizemos “Sua vez”.



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