Dito Cujo
Existem tantas metáforas pra definir a vida e o mundo que tem vezes que é até difícil escapar do lugar comum. As palavras que deveriam nos iluminar dividem-se em barras e cerceam nossa liberdade – é o ciclo do paradigma, do modelo pronto e enlatado, dum ditado que diz o que é certo e quem está errado.
As pessoas olham feio para aqueles que se desviam do padrão pré-estabelecido. Eu entendo, porque até há um certo sentido mas, parece que perde-se de vista o motivo do nascimento de tantos ditos, neologismos e crianças da língua: aquilo que não existe e o mundo não fornece, nós fazemos. Não é essa a essência da criatividade? Ou ainda, o que nos define como homens? Formular as respostas antes mesmo de ter as perguntas, é essa sábia prontidão que consegue enxergar, com a soma dos saberes, mais longe que qualquer um de nós.
Não é a visão que define o gênio? Se tivermos o desejo, usando-se dessa sabedoria coletiva, podemos tentar intuir um tanto dessa visão geral – e ai é de cada um perceber as coisas mas, acredito eu, a soma dos valores permite ver muito mais longe do que sugerem os modos da sociedade. Cortejar idéias diferentes não implica aceitá-las e só reafirma valores próprios pois, como diziam o linguísta Saussure, as coisas só existem por oposição. Quer ter uma opinião firme? Escute uma diferente.
