Um Quarto de Rearranjo, Dois Terços de Liberdade
Hoje eu parei para arrumar meu quarto – nunca mais serei o mesmo.
Joguei fora tanta coisa que assustei minha família, chama-me minha irmã de “Budísta”. Joguei fora mementos de ex-namorada, joguei fora desenhos e textos e provas, joguei fora esculturas, joguei fora cartões de aniversário e telegramas. Ainda assim, por mais que à minha frente residam não menos do que meia dúzia de grandes sacos de lixo, continuo achando que joguei fora pouca coisa. Verdade que muito será doado – pelo menos três grandes caixas com objetos em bom estado, isso sendo que nem vi ainda que roupas doar.
Termino aqui, orgulhoso do meu desapego, confiante de saber quem sou mesmo se hoje mesmo tudo virasse cinzas num incêndio. Não poderia estar mais feliz tendo feito essa limpeza do passado, essa esterilização de boa parte do que parecia me aprisionar. Me sinto, mesmo que ainda não completamente, livre e sei quem sou. Hoje, durmo contente.
