Entre o Céu e a Terra
Ele caminhava pelo canto da sala quando mandaram-no ir lavar o rosto. Mas isso não poderia apagar nada do que aconteceu, cada vez que a água passava pelo seu rosto e seus olhos se fechavam, ele via e revia a cena. Sua adrenalina excessiva mascarava a dor na sua perna e a vermelha mancha em sua roupa era um atestado do que havia acontecido. A professora fitou-o, pálida, da frente da sala, seus colegas em silêncio faziam sua parte. O menino havia criado um monstro, sem dúvida, um que não seria esquecido tão cedo. Pensou em seus pais e suas expressões, pensou nas últimas palavras das vítimas de sua aberração, tão preciosa e que ele olhava com tanta carinho, um orgulho quase paternal misturado com sua própria vaidade. Ele sorria – e lavava suas mãos. Criara algo que realizaria seus desejos sem que tivesse de sujar suas mãos, já lhe bastava a mancha vermelha que se espalhava, um rastro de seu ato. Vestígios de sua monstruosidade – pintara ele um Sol sorridente comendo planetas pequenos. Ah, criança, destruidora de mundos.
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Criação de expectativa: Afinal, brincar com a mente alheia é divertido.
