Humanidade Concreta
Corro na escuridão, sem medo e sem fim, corro sem saber o que vai ser de mim. Não posso parar mas o horizonte não chega, me desespero, a chuva começa a cair e começa o meu cinza a descolorir, corro mais rápido, tentando ir além do horizonte, mas parece que nada adianta e o que tento em nada resulta, mas ouço a música e consigo entender que o final se aproxima então aperto o passo, meus músculos gritam de dor e rasgam por debaixo da pele, o ritmo é frenético mas tudo se move tão devagar.
As gotas produzem canções nunca antes ouvidas, estourando lentamente, se multiplicando, criando correntes. Meu pés espalham as gotas, o chão des-desaba a minha frente, os vãos se preenchem e as lacunas não me permitem sair de minha louca corrida. O espaço vazio do horizonte se preenche de blocos e mais blocos, tento saltar para a imensidão, para o nada, mas os chão me segue, me persegue.
A música vai chegando ao fim, os acordes são os finais tais como meus sinais vitais. Sinto meu corpo fraquejar e com tudo aquilo que tenho e posso, dou meu último salto, conseguindo ir além do chão que se constrói por onde vou, caindo num abismo, num mar negro mas quando finalmente mergulho… Não há beleza igual, não há nada tão simple, não há nada tão belo.
Posso descansar em paz.
