Writings

Musa entre Homens

Posted by Otto Robba in Prosa on 22. Aug, 2010 | No Comments

É difícil viajar por caminhos não construídos, buscando trilhas que ninguém nunca encontrou. Talvez seja mais fácil no mundo cartográfico pois sempre há um norte, um céu à fornecer informações de onde se está. Mas e quando começamos a passar ao reino das coisas que não podem ser vistas, apenas percebidas, quando adentramo-nos no espaço que a imaginação ocupa, como faz-se para encontra tais trilhas?

Não há um céu que possa nos instruir, o único compasso é o moral, as locações não são cartográficas, são finitas e ainda infinitas, diminutas e expansivas. A verdade é que é assustador por ser um espaço que abraça o mundo mas não pode ser visto, não pode ser expresso – pode apenas ser imaginado. Como então, novamente, encontrar tais trilhas?

Vou chegando à conclusão de que não há um método específico, que em certos momentos os elementos serão abstraídos do ambiente, atingindo a pessoa tal como a inspiração súbita dum subconsciente trabalhando atrás da cena. Noutros momentos, será resultado de trabalho, experimentação – tentativa e erro. Tentativa. Talvez a chave seja sempre essa, tentar realizar, independente de conseguir ou não. Se Thomas Edison permitiu-se falhar milhares de vezes até acertar, por que então não nos permitimos justamente, errar para acertar?

Me parece muito psicótico um mundo que espera resultados precisos em prazos obscenos – as fraquezas ocultas não permitem revelar o verdadeiro carácter, apenas talvez a falta de algum. Num espaço infestado pelo marketing pessoal, por intrigas e politicagem, a experimentação padece de atenção pois não é sempre prática, nem sempre produz resultados rentáveis. Nem sempre é, por falta de palavra melhor, sana.

A imaginação serve a pena por um crime que cometeu – o de ser tão expansiva ao ponto de abraçar qualquer idéia.

Nada é tão louco e surreal que não possa ser imaginado.

Minha Mulher

Posted by Otto Robba in Poesia on 06. Aug, 2010 | No Comments

As paredes do labirinto pareciam crescer,
Arranha-céus fazendo-se ver.
Ignorei-os,
Bufões.

Segurando a ponta do novelo
com ela por me guiar,
me senti um teco mais livre,
consegui respirar.

E na encruzilhada do desespero e dissolução
Armado tal como amado,
Um fim ao minotauro.

E segui a linha. Segui, de volta, retornando ao meu lar,
Aquele ali, ao seu lado, o meu lugar.
A outra ponta do novelo,
A outra metade do meu ser.

As Bailarinas

Posted by Otto Robba in Poesia on 06. Aug, 2010 | No Comments

Dançarinas no salão,
Reflexos em harmonia,
movimentos, momentum,
momentos.

Capturados numa imagem como fosse eterno,
Como se o artista ainda pudesse pintar.
E continuam lá, vivendo paradas
em movimento.

Aladas.

Criaturas soberanas, vivas mas não
humanas.
Algo mais, algo menos.

As bochechas rosadas,
A luz difusa,
O piso de madeira que as suporta.

Prova de que o passado
nunca passa
-não sem deixar um presente.

E ainda assim, se movem

Posted by Otto Robba in Poesia on 01. Aug, 2010 | No Comments

O garoto do espelho me olha e pergunta:
“O que você faz?”.
É uma reflexão sem respostas,
Uma corrida de cavalos,
Sem jóqueis nem apostas.

Apenas meus fantasmas cavalgando,
Por planícies que nunca existiram,
Em momentos que nunca foram,
Me levando à lugares que nunca cheguei.

Sinto meu coração afundar
pois aquilo que nunca foi
nunca mais será.

Continuo aqui, parado, inerte,
fitando uma imagem que é
um mero reflexo
de quem poderia ter sido.

Num Piscar

Posted by Otto Robba in Poesia on 01. Aug, 2010 | No Comments

Esse lápis na minha mão é o primeiro ponto de uma fábula,
É o canto de um conto, uma tabula rasa.
Escrever é mais do que ordenar letras e palavras
- é embutir segredos e sentidos, ocultos entre vírgulas.
São suspiros de amor, cuneiformes.

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    For me, art is all about communication, finding and giving meaning when most would not see. To make people feel from words unspoken, to imagine entire worlds through simple literary passages.

    My dream is to be able to, should I ever be so lucky, create a piece of work that lives far beyond myself.